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“Anticristo” é assim um daqueles filmes para deixar o telespectador tenso, atordoado e amedrontado. A história dos pais que perdem um filho em uma queda já é por si depressiva. Mas, com o olhar do diretor e roteirista Las Von Trier é perturbadora. Toda em preto e branco, a belíssima e ao mesmo tempo horrenda cena inicial já apresenta uma sensação de angústia que, ao longo da história, domina o público. Nela, aparecem pequenos detalhes imperceptíveis que resumem o enredo de uma forma geral.
Assim como em “Dogville” e “Manderlay” – outras obras do cineasta – ele conta a história como um livro, com direito a prólogo, capítulos e epílogo. Um quê de sonho é dado pela narração desconexa, câmera lenta, trilha sonora ou ausência dela e a cor amarelada. A soma da imagem e som realmente cria uma atmosfera tensa. O início, como sempre, tem um ritmo lento que se torna mais frenético sem contrastar com os acontecimentos tão absurdos e tão próximos da vida de todos.
Este, aliás, é o grande segredo das produções do dinamarquês. Colocar seus personagens em situações que trazem à tona a maldade que todos carregam escondida devido aos valores da sociedade. “Anticristo” não tem medo de mostrar, sem cortes, a crueldade de alguns e a pouca sanidade de outros, que, se for parar para pensar, não estão nem um pouco longe da realidade de cada um.
Que atire a primeira pedra quem nunca assistiu a um filme com Selton Mello. É impossível nomear as principais produções nacionais sem que em pelo menos uma delas o ator esteja no elenco. Não sei se existe uma versão masculina para o título que já foi de Regina Duarte – “namoradinha do Brasil” – mas, se sim, ele deve ir para o Selton.
Como o site G1 observou na última terça-feira (24), só neste mês de junho ele estará com três longas nos cinemas: “A Mulher Invisível”, “Jean Charles” e “A Erva do Rato”. Tá certo que “A Mulher Invisível” é água com açúcar e “Jean Charles” não é tudo aquilo todos tanto esperam, mas três filmes lançados de uma vez só? Se bobear, isso deve ser um feito inédito para a história do cinema brasileiro. Se não do cinema mundial.
Claro, não se pode esquecer que existe Wagner Moura, Lázaro Ramos e até Cauã Reymond, que também anda ciscando para o lado da película. O inesquecível e bonitão Rodrigo Santoro já se bandeou para os lados americanos (muito boa sorte para ele), coisa que o irmão de Danton não pensa em fazer.
Comparado com muitos, ele não é nem de longe o mais bonito, mas é talentoso. Muito talentoso. Não dá para ignorar suas atuações em “O Cheiro do Ralo” e “Meu Nome Não é Johnny”, filmes que já viraram obrigação de qualquer brasileiro assistir. Além da atuação, ele anda também se aventurando na direção. Mas ainda precisa dominar mais. Eu aqui torço para que ele continue atuando.
De qualquer maneira, Selton, parabéns e siga em frente. Se for por mim, o título de “namoradinho do cinema brasileiro” é todo seu.
Abaixo assista o trailer de “A Erva do Rato”, de Julio Bressane
Muito se falou de “Quem Quer Ser Um Milionário”. Muito mesmo. Discussões em roda de bar com pessoas que entendem de cinema e de Oscar, outras que entendem ou de um ou de outro. E até mesmo aquelas que não entendem nada muito bem. Todo mundo falou sobre o filme “indiano” que tirou o Oscar dos americanos. Uso as aspas na palavra indiano simplesmente porque “Milionário” é uma co-produção anglo-americana em parceria com uma empresa da Índia, a Loveleen Tandam. E ainda é dirigido por Danny Boyle, um inglês. Então, para mim, isso não é indiano.
Para encurtar, vou falar minhas impressões em tópicos:
1) “Milionário” é um filme bonitinho e delicado. É esperançoso e mostra um costume que está dentro da cultura mulçumana: Maktub. Está escrito, é o destino, que eu acho muito bonita.
2) O filme é falado em inglês na maior parte do tempo. Por quê? Será os Estados Unidos querendo ganhar o gigantesco público da Índia? Seria essa uma artimanha comercial? (Não sei se é verdade, mas ouvi falar que filmes americanos são proibidos de passar nos cinemas de lá).
3) A Índia que se vê não lembra em nada a da novela “Caminho das Índias”. Glória Perez, o que você fez?
4) O filme de Danny Boyle ganhou 11 estatuetas. Não que não mereça. O filme é bem produzido, bonito e amarrado, mas levar tudo isso em um ano como esse, com o mundo em recessão e a posse do primeiro presidente americano negro…Bem, isso para mim se resume a uma única palavra: política.






