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“Anticristo” é assim um daqueles filmes para deixar o telespectador tenso, atordoado e amedrontado. A história dos pais que perdem um filho em uma queda já é por si depressiva. Mas, com o olhar do diretor e roteirista Las Von Trier é perturbadora. Toda em preto e branco, a belíssima e ao mesmo tempo horrenda cena inicial já apresenta uma sensação de angústia que, ao longo da história, domina o público. Nela, aparecem pequenos detalhes imperceptíveis que resumem o enredo de uma forma geral.
Assim como em “Dogville” e “Manderlay” – outras obras do cineasta – ele conta a história como um livro, com direito a prólogo, capítulos e epílogo. Um quê de sonho é dado pela narração desconexa, câmera lenta, trilha sonora ou ausência dela e a cor amarelada. A soma da imagem e som realmente cria uma atmosfera tensa. O início, como sempre, tem um ritmo lento que se torna mais frenético sem contrastar com os acontecimentos tão absurdos e tão próximos da vida de todos.
Este, aliás, é o grande segredo das produções do dinamarquês. Colocar seus personagens em situações que trazem à tona a maldade que todos carregam escondida devido aos valores da sociedade. “Anticristo” não tem medo de mostrar, sem cortes, a crueldade de alguns e a pouca sanidade de outros, que, se for parar para pensar, não estão nem um pouco longe da realidade de cada um.






