“Anticristo” é assim um daqueles filmes para deixar o telespectador tenso, atordoado e amedrontado. A história dos pais que perdem um filho em uma queda já é por si depressiva. Mas, com o olhar do diretor e roteirista Las Von Trier é perturbadora. Toda em preto e branco, a belíssima e ao mesmo tempo horrenda cena inicial já apresenta uma sensação de angústia que, ao longo da história, domina o público. Nela, aparecem pequenos detalhes imperceptíveis que resumem o enredo de uma forma geral.

Assim como em “Dogville” e “Manderlay” – outras obras do cineasta – ele conta a história como um livro, com direito a prólogo, capítulos e epílogo. Um quê de sonho é dado pela narração desconexa, câmera lenta, trilha sonora ou ausência dela e a cor amarelada. A soma da imagem e som realmente cria uma atmosfera tensa. O início, como sempre, tem um ritmo lento que se torna mais frenético sem contrastar com os acontecimentos tão absurdos e tão próximos da vida de todos.

Este, aliás, é o grande segredo das produções do dinamarquês. Colocar seus personagens em situações que trazem à tona a maldade que todos carregam escondida devido aos valores da sociedade. “Anticristo” não tem medo de mostrar, sem cortes, a crueldade de alguns e a pouca sanidade de outros, que, se for parar para pensar, não estão nem um pouco longe da realidade de cada um.

Anticristo_Poster

robertoCarlos290

Deparei-me com alguns comentários negativos sobre os 50 anos de carreira de Roberto Carlos enquanto lia o blog de um amigo. Pois então, eis que me vem à cabeça a reação das pessoas quando o rei der seu último suspiro. Ou seja, quando estiver mortinho da silva. Fiquei pensando, se já há críticas quando ele completa cinquentenário de carreira, imagina quando ele morrer. Eu ponho a mão no fogo como o episódio se dará assim, resumidamente, em 10 tópicos:

  1. Todos os sites, jornais, canais de TV, emissoras de rádio anunciarão a morte de RC;
  2. Haverá uma comoção nacional, pessoas tristes. Em todas as mesas de bares do Brasil se falará bem dele;
  3. Só para concordar com o senso comum de que RC era rei, pessoas que costumavam criticá-lo irão se acovardar e dirão que realmente é uma grande perda para a música brasileira e até confessarão que gostam de uma música ou outra;
  4. Pessoas que nem ouviam seu trabalho direito vão dizer que ele era “do caralho”;
  5. Irão surgir piadinhas sobre sua perna mecânica, sobre a Maria Rita e, provavelmente, algum melô com uma de suas canções;
  6. A mídia, em busca de audiência, irá falar exaustivamente sobre sua morte;
  7. As matérias sobre sua carreira e vida encerrarão com o BG da música O Calhambeque: “Bem, vocês me desculpem, mas agora eu vou me embora…bye, bye, bye!”
  8. Milhares de fãs irão lotar o enterro e o velório de RC, talvez, irá rolar até uma carreata com o corpo em carro de bombeiro pelas ruas e a Globo irá transmitir ao vivo;
  9. Aqueles que se acovardaram anteriormente irão achar uma maneira de criticar, é claro. Mas, para não queimar o filme e ficar contra a maioria, irão começar a dizer que acham RC legal, mas “chega, já não agüento mais ouvir falar nele”;
  10. Biografias autorizadas ou não serão lançadas, os CDs e DVDs vão virar fenômeno de vendas, talvez role um filme sobre sua vida, e ele será aclamado o rei eterno do Brasil.

Conclusão: Isso tudo é só para dizer que o mundo é óbvio e, às vezes, chato. E as pessoas se levam a sério demais. Demais mesmo. Fora isso, parabéns Roberto Carlos por 50 anos de carreira digna, você merece.

A AEG Live, produtora responsável pela turnê de Michael Jackcon em Londres, liberou um vídeo do ensaio do show do rei do pop dois dias antes de sua morte. A música é “They Don’t Care About Us”, aquela que ele chegou até a gravar um clipe nas favelas cariocas. Diante das imagens fica a dúvida de como seria a turnê de MJ. Não sei o que vocês acham, mas não me parece que ele estava prestes a ter um ataque cardíaco, não?

A Mídia deve a Michael

Gay Talese, um dos grandes nomes do jornalismo que está no Brasil para participar da FLIP ( Feira Literária Internacional de Paraty), deu uma declaração ao repórter Marcos Strecker, da “Folha”, sobre a morte do astro: “A imprensa deve desculpas a Michael Jackson. A forma como o trataram é horrível. Morreu difamado antes de ter morrido”.

O escritor ainda comentou sobre a cobertura da mídia na época em que o cantor estava sendo acusado de abusar sexualmente de crianças. ”Seja qual for a razão que o legista der para a morte, não vai fazer diferença. Ele começou a morrer quando as acusações ganharam as manchetes. Em conluio com os acusadores, estava a mídia americana”.

Os escândalos do senado com seus atos secretos, que até agora não se sabe ao certo quantos foram, virou um prato cheio para os usuários do twitter que criaram o #forasarney. As celebridades foram as maiores responsáveis pela repercussão dentro do site e por conseguirem adeptos.

De uma hora para outra, muitos, muitos, muitos #forasarney foram escritos. A campanha entrou na crista da onda e virou moda. Ficou famoso até o episódio em que o cantor Junior (@Junior_Lima), irmão de Sandy, e seus amigos, o ator Bruno Gagliasso (@bgagliasso) e o apresentador Marcos Mion (@mionzera), tentaram fazer com que o mais seguido usuário do Twitter, Ashton Kutcher (@ aplusk), escreve-se o #forasarney em seu microblog para haver uma repercussão maior. É claro que eles levaram um fora educado do americano, que realmente não tem nada haver com a política brasileira.

Mas enfim, a intenção de uma grande parte de twitteiros era para que o presidente do senado fosse obrigado a deixar o cargo. A campanha, por meio de Marcelo Tas (@marcelotas) , Rafinha Bastos (@rafinhabastos) e outros já citados, virou famosa e foi notícia até em alguns sites importantes. Um dos grandes trunfos dos líderes era um protesto que foi marcado para a última quarta-feira (1) em vários pontos do país.

O dia chegou e o que se via nos noticiários do país e no próprio Twitter era a notícia de que o repórter do programa “CQC” Danilo Gentili (@danilogentili), que estava cobrindo o caso em Brasília, havia sido agredido pelos seguranças de Sarney ao tentar fazer perguntas ao político. Nada de passeata nacional na mídia.

O movimento que veio da internet continuou lá, um pouco mais tímido com a permanência de Sarney no cargo. Segundo os próprios usuários do microblog, em São Paulo, compareceram apenas 100 pessoas e, no Rio, 50. Hoje mesmo, o Tico Santa Cruz (@Ticostacruz) , que dizem ser um dos líderes do movimento, fez um post em seu blog intitulado “Sarney Venceu”. Inclusive, seu texto rendeu uma carta resposta do jornalista e usuário constante do Twitter Maurício Stycer (@mauriciostycer) em seu blog.

Aí fica a questão, o #forasarney é só uma revolução de sofá? Só funciona virtualmente? Onde estavam aqueles que esbravejaram tanto sobre o movimento? Por que não foram protestar fisicamente? Ouso em dar minha cara a tapa – e sei que vou levar muitos – mas vou falar exatamente o que eu acho sobre a adesão de alguns.

A campanha realmente é legal para que os brasileiros se conscientizem sobre o que está acontecendo no cenário da política nacional, mas, desde que ela surgiu, vi muita gente aderindo apenas para ganhar mais seguidores no Twitter. Para quem não sabe, há uma disputa gigantesca no site para ver quem é o mais popular lá dentro. E não falo apenas de celebridades. Vi muitos escrevendo apenas o “#forasarney”, pois , dessa maneira, seu perfil ficaria disponível para aqueles que faziam busca no site e poderiam, então, passar a segui-los.

É claro, não dá para generalizar e dizer que todos fizeram com essa intuição, mas ficou visível o interesse de muitos no protesto. Deixo aqui o meus parabéns para aqueles que entraram de coração nessa história e passaram a saber um pouco mais da política do Brasil e que continuem assim, mas me recuso a pensar que todos os adeptos embarcaram nessa somente para arrancar o ex-presidente da frente do senado.  

Danilo Gentili contra “Fora Sarney”

Uma opinião que chamou a atenção no Twitter foi a de Danilo Gentili. Apesar de seus colegas de programa, Tas e Rafinha, fazerem campanha à favor, o comediante se mostrou contra. Ele chegou até a fazer posts irônicos. “Pessoal, só to pegando carona nesse #forasarney p/ aumentar meus seguidores, ok? Vcs q querem derrubá-lo não decidem nada. #SarneyRules”. “Se vcs do Twitter conseguirem derrubar o cara q manda nos pais e na mídia c/ esse #forasarney me avisem q dou 1 Iphone p/ cada um”.

Perguntado por um repórter do “Estadão” por qual motivo não aderiu à campanha, ele disse: “Porque eu acho que deve haver outras maneiras de conseguir seguidores no Twitter, e sem ser tão hipócrita. Comprá-los com iPhone como fez Luciano Huck ou trapacear com script como fez o Fantástico são ideias melhores que essa, por exemplo”. Veja a matéria na íntegra.

Ontem, diante da cobrança de alguns internautas, escreveu: “CONGRATULATIONS! Vcs, e não a máfia do outro lado, derrubaram Sarney. Retirem seus iPhones c/ LucianoHuck. E me ajudem tb na #PazMundial”.

De todas as histórias vampirescas, a minha favorita sempre foi a de Drácula, do autor Bram Stoker. Lembro-me quando assisti pela primeira vez a adaptação feita por Francis Ford Cappola para o cinema com Wynona Ryder hipnotizada pelo chupa-sangue bonitão encarnado por um sedutor Gary Oldman. Mas, no final do ano passado, buscando por uma nova série para assistir (sou viciada no formato), encontrei “True Blood” e me surpreendi. Mesmo.

O roteiro, que vem da série de livros “Sookie Stackhouse”, mistura simplesmente tudo o que pede uma boa história de vampiros. Sexo (entre humanos e vampiros), drogas (o sangue dos vampiros para humanos), assassinatos e tórrido romance com o mais sexy dos seres da noite, o vampiro Bill Compton (Stephen Moyer). Meninas que ainda não viram se preparem para as cenas calientes do moço com a protagonista telepata Sookie (Anna Paquin). É de perder o fôlego. Uhull!

E mais, em “True Blood”, os vampiros, que são adeptos do sangue sintético que dá nome ao seriado, se revelaram para a sociedade e vivem no meio de todos como cidadãos comuns. É claro que há a analogia do preconceito contra a espécie e até um tipo de Ku Klux Klan contra eles representada por uma igreja e pastores evangélicos. Uia. Tudo ambientado em Louisiana

Além disso, os produtores não economizam em locações, os efeitos especiais estão na medida certa, e a produção é cinematográfica. A série é exibida pela HBO e está na sua segunda temporada nos Estados Unidos. Anna Paquin chegou a ganhar o prêmio de Melhor Atriz no Globo de Ouro, no início deste ano.   

Abaixo deixo a ótima abertura que dá um gostinho de “True Blood”

O mundo está apaixonado. E o objeto de devoção não se trata de nenhum novo cantor, ator ou estrela. Ele tem o coração de mãe, aceita todo mundo e não discrimina ninguém. No início, o Twitter entrou na rotina das pessoas timidamente. Todo mundo criou o seu microblog mais por curiosidade, para ver o que era aquele passarinho azul. E, aos poucos, como tem que ser, o vício foi tomando conta. 

Eu mesma, que tinha me cadastrado há algum tempo,  não usava.  Até que fui convencida pelo meu amigo e grande jornalista Fernando Vives (@sorryperiferia) de que era divertido. Hoje, ele é visita obrigatória para mim e para muitos que se renderam à nova mídia.

O tempo (bem pequeno) passou e o site virou alvo de várias teorias. E as discussões estão sempre girando em torno de “mas para o que serve o Twitter” – recomendo inclusive uma matéria do jornalista Maurício Stycer (@mauriciostycer) sobre o assunto: http://migre.me/2V2N.

O fato é que ninguém sabe ao certo no que vai dar, mas todos dão sua opinião. Alguns criticam a idéia inicial dos “twitteiros” usarem o mecanismo como um tipo de diário reportando o que fazem a cada minuto. E, ao mesmo tempo, tem aqueles que defendem o conteúdo e acham que os mais inteligentes são os mais seguidos – o que me leva a pensar que o ator Ashton Kutcher, o mais seguido de todos os usuários, deve ser mesmo gênio. Outros acham estranho que algumas contas famosas sejam patrocinadas, como a de @marcelotas.

Mas, no geral, o que parece acontecer mesmo é uma disputa para ver quem consegue mais seguidores. O que me faz lembrar do início do Orkut, em que as pessoas queriam ter o máximo de amigos possível, adicionando até quem não conheciam.

Mas, para mim, sinceramente o que importa é mesmo a diversão e a interatividade. O Twitter tá aí para ser usado, da maneira que for. É como @rosana postou ainda hoje “O Twitter é um recreio infinito. Pode parecer exagero, mas depois que o Twitter começou a bombar, a capa do UOL perdeu relevância pra mim. Twitter agora é minha homepage.”

Pelo menos vai ser assim, até lançarem uma “novíssima novidade” e o Twitter ficar ao lado dos que um dia já foram sucessos absolutos como Orkut, Facebook, Youtube, Flickr, etc.

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É incrível, basta algum famoso dar o último suspiro para as pessoas usarem da sua morte para fazer piadas. Ontem, Michael Jackson nem havia morrido ainda e no twitter os internautas já lançaram inúmeras gracinhas. Parecia até uma disputa de ego para ver quem conseguia ser o mais engraçado, quem tinha a melhor tirada… O troféu não existe, é claro, mas, eu fico me perguntando por que as pessoas reagem dessa maneira.

Não estou julgando ninguém, mas não deixa de vir à cabeça que essa reação é mais uma maneira de todos tentarem driblar a morte, deixando de lado a seriedade da situação. Afinal, quando o assunto é o fim, nada como uma boa piadinha para descontrair. E isso não acontece apenas com as celebridades, em velórios de anônimos sempre há uma rodinha dando umas boas risadas.

Na internet, não é diferente. Se você der um Google em “piadas sobre morte”, vai encontrar sites com tópicos de “as melhores piadas de morte”. Aliás, o primeiro link leva a uma sobre a morte do presidente Lula, que está aí vivinho da silva, no “Portal do Humor”. Inclusive, imagino que se alguém fizer comentário neste post será uma piada.

Mas, não deixa de ser engraçado. Costumo rir de tudo, tenho o que chamam de “riso fácil”. Até solto uma risadinha com humor negro e falecimento, mas, no fundo, sempre bate aquele pesar por dentro. É só comigo? Ou morrer é mesmo engraçado?

Abaixo um vídeo do grupo de humor inglês Monty Pyton: “A piada mais engraçada do mundo”, que tem tudo haver com humor e morte

Que atire a primeira pedra quem nunca assistiu a um filme com Selton Mello. É impossível nomear as principais produções nacionais sem que em pelo menos uma delas o ator esteja no elenco. Não sei se existe uma versão masculina para o título que já foi de Regina Duarte – “namoradinha do Brasil” – mas, se sim, ele deve ir para o Selton.

Como o site G1 observou na última terça-feira (24), só neste mês de junho ele estará com três longas nos cinemas: “A Mulher Invisível”, “Jean Charles” e “A Erva do Rato”.  Tá certo que “A Mulher Invisível” é água com açúcar e “Jean Charles” não é tudo aquilo todos tanto esperam, mas três filmes lançados de uma vez só? Se bobear, isso deve ser um feito inédito para a história do cinema brasileiro. Se não do cinema mundial.

Claro, não se pode esquecer que existe Wagner Moura, Lázaro Ramos e até Cauã Reymond, que também anda ciscando para o lado da película. O inesquecível e bonitão Rodrigo Santoro já se bandeou para os lados americanos (muito boa sorte para ele), coisa que o irmão de Danton não pensa em fazer.

Comparado com muitos, ele não é nem de longe o mais bonito, mas é talentoso. Muito talentoso. Não dá para ignorar suas atuações em “O Cheiro do Ralo” e “Meu Nome Não é Johnny”, filmes que já viraram obrigação de qualquer brasileiro assistir.  Além da atuação, ele anda também se aventurando na direção. Mas ainda precisa dominar mais. Eu aqui torço para que ele continue atuando.

De qualquer maneira, Selton, parabéns e siga em frente. Se for por mim, o título de “namoradinho do cinema brasileiro” é todo seu.

Abaixo assista o trailer de “A Erva do Rato”, de Julio Bressane

Maquiagem, caretas, lança-chamas, músicos voadores, chuva de papel e tudo mais que tinha direito. Menos a quantidade de rock que muitos esperavam. Kiss, the hottest band in the world, foi morna.

O início foi muito agitado, com o público se matando de tanto pular e gritar. Cada close da câmera no Gene Simons levava a galera ao delírio. Mas, esse clima só durou por uns 30 minutos. Conforme a banda tocava uma nova música, as pessoas iam esfriando. Os hits deixados de lado e a falação entre uma canção e outra desanimaram.

Eu nunca tinha presenciado isto, mas “meninos eu vi” pessoas com a camiseta da banca começarem a xingação. “Que bosta de show”, “É o pior show da minha vida” e “O que os caras estão fazendo” se ouvia constantemente entre o público que já não estava mais nem prestando a atenção. As pessoas andavam de um lado para o outro, olhavam para o lado, estavam inquietas.

Um colega que esperava ansioso há meses para ver a banda ficou decepcionado. Nem a última meia hora do show, em que os roqueiros cantaram uns cinco clássicos fez o rapaz feliz. Afinal, é difícil esquentar uma apresentação para 35 mil pessoas só no fim.

Até que o povo pulou, mas o que poderia ter sido duas horas do show mais quente do mundo resultou no público saindo com gostinho de “só isso” enquanto cantava “God gave rock’n’roll to you”, que tocava no CD após a despedida dos músicos.  

E ficou a vontade!

Muito se falou de “Quem Quer Ser Um Milionário”. Muito mesmo. Discussões em roda de bar com pessoas que entendem de cinema e de Oscar, outras que entendem ou de um ou de outro. E até mesmo aquelas que não entendem nada muito bem. Todo mundo falou sobre o filme “indiano” que tirou o Oscar dos americanos. Uso as aspas na palavra indiano simplesmente porque “Milionário” é uma co-produção anglo-americana em parceria com uma empresa da Índia, a Loveleen Tandam. E ainda é dirigido por Danny Boyle, um inglês. Então, para mim, isso não é indiano.

Para encurtar, vou falar minhas impressões em tópicos:

1)    “Milionário” é um filme bonitinho e delicado. É esperançoso e mostra um costume que está dentro da cultura mulçumana: Maktub. Está escrito, é o destino, que eu acho muito bonita.

2)    O filme é falado em inglês na maior parte do tempo. Por quê? Será os Estados Unidos querendo ganhar o gigantesco público da Índia? Seria essa uma artimanha comercial? (Não sei se é verdade, mas ouvi falar que filmes americanos são proibidos de passar nos cinemas de lá).  

3)    A Índia que se vê não lembra em nada a da novela “Caminho das Índias”. Glória Perez, o que você fez?

4)    O filme de Danny Boyle ganhou 11 estatuetas. Não que não mereça. O filme é bem produzido, bonito e amarrado, mas levar tudo isso em um ano como esse, com o mundo em recessão e a posse do primeiro presidente americano negro…Bem, isso para mim se resume a uma única palavra: política.

 

 

Estava esperando o sinal abrir para atravessar a rua e finalmente chegar em casa depois de 15 dias ininterruptos de trabalho, quando vejo uma mulher conversar com dois homens e mais uma amiga. Todos eles tinham jeito e roupas muito simples. A mulher, quer era baixinha e um pouco gordinha, chamou minha atenção. Ela falava alto no meio da aglomeramento:

- Relaxa, homem é igual à bolacha. Em qualquer bar se acha!, ela aconselhou a amiga.

Não achei que iria vir algo interessante dali depois daquela rima. Até porque bolacha se encontra em bar? Mas, continuei ouvindo.

- Ah, mas homem de verdade não é fácil de encontrar, defendeu um dos colegas.
- O que é homem de verdade? perguntou a mulher.

- Homem de verdade é aquele que te acompanha nos lugares, que te leva para sair, que…

A mulher deu um grito de indignação muito alto, interrompendo o rapaz e chamando a atenção agora de todos que estavam próximo ao sinal.

- Que homem de verdade o quê? Eu só quero homem é pra fudê! Depois, tchau meu amigo! Valeu e vá embora.

O homem que defendia seu gênero não ousou abrir mais a boca, deve ter ficado sem resposta. Eu sorri, lembrei do Dia Internacional da Mulher que está chegando, e pensei que só tenho a agradecer a revolução feminina! Eita mulher danada essa!

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Desde que escolhi voltar toda minha atenção ao jornalismo, minha vida tem sido uma loucura. Durmo e acordo pensando nisso. Até os sonhos não ficam livres dessa paixão que cresce sempre. Nada mais tem entrado pela minha cabeça. Quando algum outro tipo de sentimento não profissional ameça aparecer, meu cérebro já bloqueia. Afinal, deve ser assim que o corpo trabalha em situações de sobrevivência.

Um dia desses, saindo de uma pauta para um frila e correndo para uma entrevista de emprego ele falhou. Ele, o cérebro, recebeu um golpe baixo, não estava preparado para aquela onda de melancolia que dizem ser o coração quem sente. Eu descia a rua em que ia acontencer a entrevista concentrada e praticando o meu discurso quando vi um colégio e uma quadra onde várias meninas jogavam alegremente handebol. Elas deviam ter seus 15 anos, ainda não sabiam direito o que fazer com a bola, queriam apenas o gol. Fominhas, como dizem em minha terra.

Aquele cenário era fatal para mim. Mesmo não querendo fui parar direto na quadra do colégio em que estudava, passando a bola para quem, na época, já era considerada minha irmã. Mais minha irmã do que a minha própria de sangue. Fominha, ela pulava alto, corria e arremessava forte ao gol. E era gol, sempre, sempre, sempre. Ela era a melhor da sala, a melhor do time, a melhor amiga, a melhor cunhada, a família que qualquer adolescente solitária, triste e calada precisava.

Meu discurso de emprego deve ter ido parar num lugar bem escondido no meu cérebro nesse meio tempo. No meu coração, uma triste dor em pensar que nunca mais vou poder vê-la. Não adiantava querer tirar aquele sentimento do coração, ele não ia embora. Pela primeira vez em  dois anos, esses sentimentos que eu tanto escondia afloraram. À flor da pele. Aqueles erros terríveis cometidos por ela nunca poderão ser perdoados, então eu simplesmente nunca admiti que não superei. Estava difícil admitir, mas aquela dor e lágrimas contidas eram de saudade. Eram e são.

Olhando para as meninas jogando, eu segurei firme e apertei o passo. Como de costume, o velho sentimento de raiva ia começar a me dominar em algum momento. Essa era a minha casca, a minha proteção. Cheguei ao meu destino, me olhei no espelho enquanto estava no elevador. Me despedi daqueles restos de sentimento.  Na volta,  tentei evitar a quadra, olhei apenas de relance. Ela estava vazia.

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Na pegada de Benjamin Burton e O lutador:

“Sou velho e já passei por muitas dificuldades, mas a maioria delas nunca existiu”
 Mark Twain

“Toda a gente desejaria viver muito tempo, mas ninguém quereria ser velho”
 Jonathan Swift

“Ninguém ama tanto a vida como o homem que está a envelhecer”
 Sófocles

“A velhice faz-nos mais rugas no espírito do que na cara”
 Michel Eyquem de Montaigne

“O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão”
 Gabriel García Marquez

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Não são todos os domingos que você acorda como se tivesse tomado um soco na cara. Será a culpa da Eisenbahn relembrando dias de Oktoberfest? Caipirinha de saquê com limão (uma das piores misturas possíveis)? Ou da velha companheira de dias difícieis, ansiedade minha inimiga? Em tempos de carnaval, dá até pra fazer letra de marchinha:

“Bate a tremedeira 
 Eu não sei o que se passa
 Ressaca, meu amor, ressaca!”

Eu, Io e Yo

Geiza Martins é radialista e uma jornalista quase diplomada metida a ter opiniões sobre tudo. Nem sempre está certa, ou quase nunca está errada. Fica aí a dica! Ah, e os pés da foto não são meus.

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